Resumo do mês
Maio foi o mês em que o marco da IA entrou na reta final no Brasil e o Google virou o jogo numa semana. No mesmo período, empresas do mundo inteiro passaram de pilotos de automação para cortes declarados de equipe, com número e prazo. O tom do mês não foi de promessa. Foi de decisão.
BRASIL
Brasil entra no mapa global da IA
O mês foi de regulação. O PL 2338, aprovado pelo Senado no fim de 2024, entrou na reta final na Câmara: a votação chegou a ser marcada para 27 de maio, sob a pressão da janela eleitoral de outubro — mas o relatório não ficou pronto e a votação escorregou para junho; a promessa do presidente da Câmara é votar o texto ainda neste mês. O projeto classifica sistemas por nível de risco, exige transparência de desenvolvedores e operadores e cria uma autoridade para fiscalizar.
A divisão está na opinião pública: a consulta no portal do Senado fechou em 35.806 votos a favor e 31.547 contra, placar do e-Cidadania (não o voto dos parlamentares) entre quem quer regra dura e quem teme travar a inovação. A fricção real é nos direitos autorais: mais de 50 entidades culturais protestaram contra a exclusão do capítulo que rege o uso de obras para treinar modelos, e a votação voltou para revisão.
Fora do Congresso, o ecossistema não esperou. A Enter fechou US$ 100 milhões com o Founders Fund e virou, avaliada em US$ 1,2 bilhão, o primeiro unicórnio de IA fundado na América Latina. O governo lançou a SoberanIA, plataforma pública de IA em português para o setor público, integrada ao Plano Brasileiro de IA. E a OpenAI fechou com Folha e UOL o primeiro acordo de licenciamento de conteúdo jornalístico em português do ChatGPT.