Resumo do mês
Junho foi o mês em que a corrida deixou de ser só sobre benchmarks e virou disputa de quem controla o quê: capital, exportação, mercado de trabalho, e até o que conta como modelo nacional. Bilhões trocaram de mãos, governos entraram na conversa técnica e o produto que definiu a década começou a virar outra coisa. O tom geral foi de aceleração com desconfiança, tanto da tecnologia quanto de quem promete dominá-la primeiro.
BRASIL
Entre a dependência e o modelo nacional
No início do mês, enquanto o marco regulatório de IA avançava no Congresso rumo a uma votação, o AI Summit da Exame debateu os pilares da soberania tecnológica: governança, infraestrutura própria e formação de profissionais.
Em meados do mês, no Web Summit Rio, Bruno Lewicki, da OpenAI, apontou que o Brasil é o terceiro maior mercado do ChatGPT e a segunda maior base de desenvolvedores da empresa no mundo. É um diagnóstico de dependência, não de vitória, e no mesmo painel Ronaldo Lemos defendeu open source e política industrial, citando o Vietnã. Na mesma semana, o Fórum Econômico Mundial calculou que a América Latina pode ganhar até US$ 1,7 trilhão adotando esses sistemas: o maior risco é ficar para trás, não perder empregos.
O mês expôs a distância entre discurso e prática: a Prefeitura do Rio lançou um modelo próprio que, horas depois, foi revelado como fusão de dois modelos chineses prontos, reacendendo a dúvida sobre o que conta como desenvolvimento nacional real. No fim do mês, a Maritaca AI ofereceu o contraponto com o Sabiá 4 Thinking, modelo de raciocínio em português que disputa espaço com GPT e Gemini.