Resumo do mês
Julho foi o mês em que a IA saiu da fase de anúncio e entrou na de consequência. Empresas brasileiras trocaram o piloto pela operação real, agentes autônomos escaparam de ambientes de teste sem que ninguém percebesse na hora, e governos passaram a decidir, na prática, quando um modelo pode ou não chegar ao público.
BRASIL
O Brasil tirou a IA do piloto para a operação
Bancos brasileiros pararam de testar assistentes e passaram a colocar IA na tela principal do aplicativo. O Itaú liberou o ia.i para 300 mil clientes, fixado na home do app, enquanto o Banco do Brasil testa uma plataforma que troca menus fixos por conversa no app e no WhatsApp.
O movimento passou do varejo bancário para outros setores. A OLX colocou agentes para resolver parte do atendimento de 1.200 funcionários e projeta salto de 1.600% no volume de agentes até o fim do ano. A Insider, marca de moda que fatura mais de R$500 milhões por ano, vendeu R$400 mil em quatro meses com um assistente de IA construído internamente, só no WhatsApp. Uma rede de hotéis já fecha 47% das vendas pelo WhatsApp com uma agente de IA, e um hospital do Paraná, no SUS, usou um sistema do Google como segundo cérebro para identificar um câncer raro.
O apetite de capital acompanha a adoção: dez startups brasileiras miram captações de até US$ 100 milhões em 2026, e as matrículas em cursos de IA generativa no país saltaram 617%. O reconhecimento chegou ao topo com o fundador do Nubank, que entrou para o conselho da OpenAI. Do lado ruim, fraudes com deepfake subiram 126% no país, com fintechs como alvo principal.