Resumo do mês
Outubro foi um mês de contas a acertar. Os modelos chegaram mais perto de eleitores, clientes de banco e famílias, e ficou difícil adiar a pergunta sobre quem paga e quem responde por eles.
BRASIL
Brasil leva IA às urnas, aos bancos e aos tribunais

O primeiro turno encheu as redes de falsificações: a Agência Lupa contou 920 peças eleitorais criadas ou alteradas com IA, algumas com jornalistas da TV Globo "noticiando" pesquisas falsas. A coligação de Lula foi ao Tribunal Superior Eleitoral contra a Meta: a Meta AI desenhava "Flávio 22" e dizia não conseguir gerar a imagem com o nome de Lula. Reeleito, ele prometeu criar um modelo brasileiro para não depender de China e EUA.
Nos bancos, a tecnologia já atende o cliente. O Itaú abriu um assistente a cerca de 300 mil clientes, e o Nubank passou a dar nota à carteira de investimentos e sugerir ajustes. Na Riachuelo, dois especialistas de RH sem experiência em programação montaram um sistema de avaliação de desempenho em menos de duas semanas.
As regras vieram junto. A OAB-SP autorizou uma ação contra a startup Enter, que a entidade acusa de praticar "advocacia sem advogado" (as peças saem assinadas por advogados), e o Conselho Federal de Medicina deixou com o médico a palavra final sobre diagnóstico e tratamento.
Fora do escritório, a demanda de data centers encareceu memória e SSDs, os salários de gerência em tecnologia beiram R$ 40 mil e a graduação em IA superou medicina na nota de corte da Universidade Federal de Goiás.